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Ofício das quebradeiras de coco babaçu é reconhecido como Manifestação da Cultura Nacional

Reconhecimento fortalece a luta das mulheres quebradeiras de coco babaçu e valoriza modo de vida que cultuado ao longo de gerações

por Alcileia Torres

A Lei nº 15.431/2026, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e publicada no Diário Oficial da União no dia 11 de junho de 2026, reconhece o saber tradicional das quebradeiras organizadas pelo Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), que hoje está presente nos estados do Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins.
Para as mulheres quebradeiras de coco esse marco valoriza os saberes que são transmitidos de geração em geração nos territórios, as práticas de subsistência comunitária e fortalece a luta pela garantia de direitos. 

“Foi uma alegria muito grande pra gente que é quebradeira de coco saber que nossa matéria-prima foi reconhecida pelo governo federal. Porque é uma coisa que a gente vem lutando há muito tempo por reconhecimento. Porque a gente sabe que nós temos os nossos direitos, mas os nossos direitos não são respeitados.” Ressaltou Luzeny Oliveira, quebradeira de coco babaçu da comunidade São Domingos, em Cidelândia (MA), e coordenadora de base do MIQCB.

Embora o reconhecimento contemple as quebradeiras organizadas pelo MIQCB nos estados do Maranhão, Piauí, Tocantins e Pará, o ofício também está presente em outros territórios do Cerrado brasileiro. É o caso do oeste da Bahia, onde mulheres seguem cultuando esse saber ancestral. Em São Desidério (BA), quebradeiras de coco babaçu preservam conhecimentos transmitidos entre avós, mães e filhas, fortalecendo os modos de vida do território. 

Filha e neta de quebradeiras, Nerilma Araújo conta que aprendeu o ofício ainda na adolescência .“Sou filha e neta de quebradeira de coco babaçu, sou quebradeira desde os 15 anos, tô com 38 anos. E quebrar coco babaçu complementa as nossas renda na casa, né?”. 

Nerilma reforça também, que o ofício segue presente na Bahia, mesmo sem o devido reconhecimento. “Aqui no oeste da Bahia tem várias quebradeiras. A gente só não é reconhecida ainda, mas somos quebradeiras sim.” Essa realidade está registrada no documentário “Babaçu Que Quebra Lá, Quebra Cá”, produzido para dar visibilidade às quebradeiras de coco babaçu do oeste baiano e reafirmar a re’existência desse modo de vida na região. 

Para a Campanha Nacional em Defesa do Cerrado, reconhecer o ofício das quebradeiras de coco babaçu é também reconhecer mulheres que há gerações cuidam dos babaçuais, protegem a sociobiodiversidade e mantêm esses conhecimentos ancestrais construídos e fortalecidos nos territórios.