À margem da COP15, seminário em Corumbá denuncia impactos de megaprojetos em territórios do Cerrado e Pantanal
Em meio à realização da COP 15, a 15ª Conferência das Partes da CMS (Convenção das Nações Unidas sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres), que concentra os holofotes internacionais em Campo Grande (MS) até o dia 29 de março, um seminário em Corumbá (MS) coloca no centro do debate os impactos concretos da crise climática e dos megaprojetos sobre territórios e povos indígenas e tradicionais.
Com o tema voltado para os impactos nocivos causados pela mineração e por projetos hidroviários como a Hidrovia do Paraguai e a Rota Bioceânica, o encontro evidencia como essas ações aprofundam processos de devastação da sociobiodiversidade e agravamento de vulnerabilidades socioambientais no Pantanal e no Cerrado, em um contexto de agravamento das mudanças climáticas.
Organizado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) no Mato Grosso do Sul, em articulação com as CPTs do Cerrado e a Diocese de Santa Cruz de Corumbá, o seminário reúne, entre os dias 26 e 27 de março, representantes da sociedade civil, movimentos sociais, povos indígenas e comunidades tradicionais para debater estratégias de fortalecimento dos territórios frente ao avanço desses empreendimentos.
Entre os objetivos do seminário estão aprofundar a compreensão sobre os significados das águas para as comunidades do Cerrado e do Pantanal, debater os impactos de grandes empreendimentos sobre essas regiões ecológicas e fortalecer a organização em defesa dos povos e territórios - especialmente comunidades tradicionais, camponesas e assentadas.
Programação
Ao longo dos dois dias, o seminário promove rodas de conversa, debates e trocas de experiências sobre o significado das águas para os povos do Cerrado e do Pantanal, os impactos de projetos como a Rota Bioceânica e a Hidrovia Paraguai-Paraná, além dos efeitos da mineração sobre o meio ambiente e a saúde. A programação também inclui momentos de mobilização popular, intercâmbio entre territórios e construção de estratégias de resistência e defesa das águas.

Transporte de cargas pelo Rio Paraguai. (Foto: Arquivo/Semadesc)
Povos e territórios ameaçados
Em carta aberta endereçada ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), organizações da sociedade civil, cientistas e lideranças comunitárias manifestam preocupação com o avanço da concessão da Hidrovia do Rio Paraguai à iniciativa privada. O documento alerta que, diante de eventos climáticos extremos, o Pantanal perdeu cerca de 61% de sua superfície de água em 30 anos, o maior índice entre os biomas brasileiros, e reivindica o cancelamento da concessão, a realização de Avaliação Ambiental Estratégica (AAE) e a garantia de consulta livre, prévia e informada às comunidades afetadas.
Já o Cerrado, conhecido como “berço das águas” do Brasil por abastecer oito das doze bacias hidrográficas do país, também enfrenta um cenário crítico. Dados do MapBiomas indicam que, nas últimas quatro décadas, 91% de suas bacias sofreram redução da superfície de água natural. A região também lidera o desmatamento recente: segundo o Relatório Anual do Desmatamento no Brasil 2024, perdeu mais de 650 mil hectares, com forte concentração na região do Matopiba.
Serviço
Seminário "No Cerrado e Pantanal correm os segredos sagrados das Águas”
Data: 26 e 27 de março de 2026
Local: Instituto Federal do Mato Grosso do Sul - Campus Corumbá, situado na Rua Pedro de Medeiros, 941 - Popular Velha, Corumbá (MS)
Contatos para Imprensa
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